11/12/2019 às 14h50min - Atualizada em 11/12/2019 às 14h50min

Eleições no Reino Unido: por que discussões sobre raça e religião podem definir pleito.

Religião passou a ocupar um lugar central na política britânica

Em um momento crucial de campanha antes das eleições gerais da Grã-Bretanha, que ocorrem nesta quinta-feira (12), o primeiro-ministro, Boris Johnson, decidiu parar em uma padaria judaica para uma aparição meticulosamente midiática.

"Você precisa nos salvar desse cara", gritou um homem no evento na última sexta-feira, referindo-se ao líder oposicionista do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn. "Caso contrário, todos sairemos do país", acrescenta outro.

Seria impensável que um primeiro-ministro britânico, especialmente um acusado pelo Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha de flertar com a islamofobia, colocaria a religião no centro de uma campanha eleitoral.

Mas controvérsias sobre o judaísmo, o islamismo e o hinduísmo estão se tornando questões importantes para a política britânica e mais especificamente as duas figuras que lideram as pesquisas de intenção de voto.

Em média, o Partido Conservador aparece nos levantamentos com 43%, seguido do Trabalhista com 33% e do Liberal-Democrata com 13%. Com 4% aparece o Partido do Brexit, que tem como principal plataforma a saída do Reino Unido da União Europeia.

O pleito, aliás, deveria ocorrer apenas em 2022, mas sua antecipação se tornou uma tentativa de acabar com o impasse que se arrasta há meses sobre o Brexit.

Olhando de um ponto de vista mais crítico para a estratégia política, parece improvável que o líder conservador, Boris Johnson, tenha como alvo específico os eleitores judeus com sua campanha na padaria.

Judeus representam apenas 0,5% dos mais de 66 milhões de habitantes do Reino Unido e não se espera que eles consigam desequilibrar a balança.

Mas o simbolismo de um grupo de eleitores judeus que apoia o candidato conservador, e teme o trabalhista, é muito potente. 

Tradicionalmente, o Partido Trabalhista é tido como a sigla na vanguarda contra o racismo e no suporte a muitos grupos minoritários.

É por isso que as recentes acusações de antissemitismo, dirigidas às liderança e filiação partidárias do partido, foram muito prejudiciais à imagem dos trabalhistas na opinião pública.

Quando Jeremy Corbyn assumiu o comando do Partido Trabalhista em 2015, ele se tornou o líder mais à esquerda da história recente da sigla.

Embora os trabalhistas sempre tivessem elementos pró-Palestina e anticorporativos, estes cresceram sob sua liderança.

Logo surgiram questões sobre a possibilidade de críticas a membros de Israel se desviarem para o antissemitismo e de ataques a corporações se transformarem em conspirações sobre financistas judeus.

Além disso, a popularidade dos trabalhistas na comunidade judaica do Reino Unido caiu recentemente.
Não era elevado anteriormente, mas passou de 22% nas eleições gerais de 2015 para 13% nas de 2017 e 6% nas atuais, sendo as duas últimas sob liderança de Corbyn.

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