16/04/2020 às 09h57min - Atualizada em 16/04/2020 às 09h57min

‘Eles que escolhem quem fica e quem sai’, diz moradora do Pinheiro

Aumentam rachaduras em áreas de monitoramento e residente do bairro reclama da falta de providências

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Como vem sendo noticiado sequencialmente pela Tribuna Independente, moradores dos bairros atingidos por afundamento denunciam o aumento de rachaduras, inclusive em áreas de monitoramento, que em tese não deveriam ser desocupadas de imediato. Desta vez, moradores da Rua da Lira, no Pinheiro afirmam que as rachaduras se intensificam a cada dia e não há resposta do que será feito na região.

Moradora da Rua da Lira, Lidiane Januário afirma que as rachaduras estão por toda parte e reclama da falta de providências. “Eles é que escolhem quem fica e quem sai. O prédio aqui na frente foi desocupado. A mesma rachadura que corta o prédio corta minha casa e eu ainda estou aqui, meus vizinhos também estão na mesma situação. O que vamos fazer?”, questiona.

Lidiane lembra que desde o tremor de março de 2018 começaram a surgir rachaduras, mas só em janeiro do ano passado recebeu a visita da Defesa Civil Municipal. Com a divulgação do mapa de setorização de risco também no ano passado, a rua em que mora foi classificada como verde escuro, com criticidade 01. De lá para cá, as rachaduras só aumentam.

“Desde o ano passado o pessoal da Defesa Civil teve aqui. Aí disseram que era verde escuro no mapa, eles constataram, mas disseram que era área de monitoramento. Na época eu estava grávida e tive crises de ansiedade, então saí, fui morar de aluguel. Só que não tive como continuar pagando e voltei, quando voltei tinha mais rachaduras em lugares que não tinha antes. Eu não tenho para onde ir. Estou preocupada, mas não tenho onde morar além daqui, não tenho como pagar aluguel. Quando saí daqui passei por uma crise financeira e não tinha como manter o aluguel sozinha. Agora estou desempregada”, detalha.

Em fevereiro deste ano, durante um trabalho de escavação realizado por empresa contratada pela Braskem, os moradores da Rua da Lira gravaram um vídeo onde aparece uma fissura no solo. Eles dizem que essa mesma fissura corta casas e um edifício situado à frente, que foi desocupado.

“Gravamos esse vídeo quando estavam abrindo aqui a rua e dá para ver que a rachadura passa de um lado para o outro. Estamos nessa situação, casa rachada, a Defesa Civil vem, olha, mas só dizem que é monitoramento”, diz outro morador que não se identificou.

Lidiane Januário diz que aguarda que a Defesa Civil retome as visitas para que a situação seja analisada novamente e os moradores possam ter respostas. “Me passaram que a prioridade seria para as pessoas da encosta, e mandaram eu procurar novamente, só que tive problemas pessoais e acabei não indo mais. Soube por alto que ia recomeçar hoje [quarta-feira, 15], mas nós não sabemos quais áreas vão começar. Eu moro só com minha filha, mas minha tia mora em frente e a casa dela também está rachada. Quando vieram vistoriar, mandaram aguardar. Mas isso de monitoramento nos deixa preocupados. Vamos ver se agora isso vai ser resolvido, se voltam aqui de novo e nos dizem algo.”

Junta técnica deve retornar às áreas de monitoramento

 

A Defesa Civil de Maceió afirma que as visitas técnicas de avaliações de imóveis com rachaduras nos bairros do Pinheiro, Bebedouro, Mutange e Bom Parto foram retomadas nesta quarta.

A junta técnica é um grupo formado por técnicos das Defesas Civis Municipal e Nacional e Braskem que vão avaliar a evolução das rachaduras e do risco dos imóveis e determinar a inclusão ou não no programa de compensação da Braskem. Na prática, esses técnicos vão dizer se há necessidade de realocação.

A orientação, segundo a Defesa Civil de Maceió é que os moradores das áreas escuras do mapa, isto é, das zonas de monitoramento verde escuro, rosa escuro e azul escuro, solicitem a visita da junta técnica por meio do telefone 0800 006 3027. A ligação é gratuita, inclusive de telefone celular. “O atendimento acontece de segunda a sexta-feira, no horário de 9h às 18h, e serão solicitados o endereço do imóvel a ser avaliado e os dados pessoais do morador”, pontua a Defesa Civil.

“Ao todo, 10 equipes de engenharia e mais duas de atendimento social vão a campo para atendimento da população. Estas equipes iniciaram os trabalhos, atendendo a demanda reprimida existente na Defesa Civil Municipal, entre eles os casos de evolução já constatados pelo órgão municipal e que estão sendo avaliados para serem inseridos no programa de compensação da Braskem”, diz a Defesa Civil de Maceió.

Após a solicitação o morador deve receber uma visita preliminar de assistentes sociais e engenheiros, será feita uma análise para classificação de prioridade. Depois o morador receberá um protocolo e será agendada uma visita técnica para coleta de dados e imagens para análise do risco.

A partir desta etapa, a junta técnica tem 30 dias para entregar o laudo. “A classificação de risco do imóvel leva em consideração os fatores de engenharia e geologia nos quais estão inseridos este imóvel e está determinado o Protocolo de Atuação da Junta Técnica, apresentado e aprovado pelos órgãos de controle signatários do Termo de Acordo. O parecer final dos imóveis tem prazo de até 30 dias da data da Visita Técnica para ser concluído. O documento vai elencar níveis de 1 a 4 para a situação do imóvel, sendo 4 o nível necessário para realocação do imóvel e, consequentemente, inclusão no Programa de Compensação Financeira da Braskem”, detalha o órgão municipal.


fonte/tribunahoje.com

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