Na retomada dos trabalhos legislativos após o Carnaval, o vereador Allan Pierre usou a tribuna da Câmara Municipal para anunciar o protocolo de um Projeto de Lei com foco em uma das faces mais dolorosas da violência contra a mulher: o destino das crianças e adolescentes que ficam após o feminicídio. A proposta prevê prioridade nos programas de habitação de interesse social do Município para filhos e filhas de mulheres vítimas de feminicídio, buscando garantir acolhimento, estabilidade e dignidade a quem enfrenta, além do luto, o risco real de desamparo.
Em um discurso marcado por firmeza e sensibilidade, Allan Pierre defendeu que a pauta exige urgência e encaminhamento imediato às comissões. O parlamentar pediu à Mesa Diretora que viabilize a leitura do projeto já na próxima sessão, para que a matéria comece a tramitar. “Não é apenas sobre uma casa. É sobre dignidade”, afirmou, ao sustentar que a iniciativa transforma a comoção social em política pública.
Um mandato que conecta técnica e compromisso social
Ao apresentar a proposta, Allan Pierre também contextualizou sua trajetória, lembrando a formação em Direito e a vivência na política desde a juventude. Para ele, o trabalho no Parlamento se relaciona diretamente com a essência da advocacia: argumentar, dialogar, construir entendimento e defender ideias com responsabilidade pública. Essa combinação, segundo o vereador, fortalece uma atuação legislativa mais consistente, baseada em fundamentos legais e orientada para resultados concretos.
A urgência por trás do projeto
O vereador destacou que a violência contra a mulher, o feminicídio e suas consequências seguem como um desafio crescente. Ele mencionou o impacto nacional de um caso que comoveu o país, quando uma criança apareceu em situação de abandono, relatando que estava sem a mãe porque ela havia sido morta. A referência serviu como alerta para uma realidade que, muitas vezes, fica invisível após o crime: crianças e adolescentes atingidos de forma indireta, mas profunda, pela violência.
Em tom pessoal, Allan Pierre relatou que foi criado sem pai e reconheceu a mãe como espelho e alicerce, reforçando a dimensão do trauma gerado pela ausência materna. A fala deu ainda mais densidade ao argumento central do projeto: proteger quem perdeu a base afetiva e, em muitos casos, a própria segurança material.
Prioridade como medida municipal e humanizada
Na avaliação do parlamentar, a proposta se ampara em pilares já consolidados, como o direito à moradia previsto na Constituição Federal e o princípio da prioridade absoluta para crianças e adolescentes nas políticas públicas, reforçado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. O diferencial, segundo Allan Pierre, é criar um recorte objetivo e humanizado dentro da política habitacional, voltado para um caso “especial, delicado e urgente”.
Ao final, o vereador fez um apelo direto aos colegas e à sociedade para que o tema avance com celeridade, lembrando a proximidade do mês de março, tradicionalmente dedicado às pautas das mulheres. A mensagem foi clara: Maceió pode dar um passo institucional importante ao reconhecer que combater o feminicídio também envolve amparar quem fica e evitar que a violência continue se repetindo em forma de abandono.