07/10/2019 às 15h46min - Atualizada em 07/10/2019 às 15h46min

Em nome do bem comum

Lucas Bonfim

 
É amplamente conhecida a história da Torre de Babel trazida na Bíblia. Em apertada síntese, conta a lenda que os homens visavam construir uma torre tão alta de modo que pudessem alcançar os deuses. Acreditavam que seriam capazes de exercer algum paralelo com o divino.

Se levarmos em conta a essência da narrativa, vemos nos dias atuais novos homens repetindo a mesma postura narrada na mitologia ou até na história registrada da humanidade. Ao esquecermos que todos nós somos humanos, falhos e limitados, acreditamos que podemos de alguma forma estar acima do bem e do mal.

Nesse contexto, acabamos descambando na vala comum dentro da qual estão todos aqueles que acham que os fins legitimam os meios, e que tudo vale a pena quando “o bem comum” é alcançado no final das contas.

Como é intrigante nossa essência humana! Senão vejamos, o que queria Napoleão Bonaparte quando capitaneou guerras e implantou o terror em boa parte da Europa? Seja por megalomania ou qualquer coisa do tipo, o pano de fundo exposto para amealhar apoio popular é e sempre foi “o bem comum”.

Exceto pelo contexto histórico e quantidade de vidas humanas desperdiçadas, Adolf Hitler também usava o mesmo discurso tarimbado de “o bem comum” para uma nova Alemanha quando levou seu país para a 2ª Guerra Mundial.
 
Não menos excrescente e perversa foi a postura de Harry Truman, presidente Norte Americano, e seus asseclas quando determinaram que fossem jogadas duas bombas nucleares em cidades japonesas repletas de civis alheios a qualquer conflito bélico-político, mas que pagaram com a própria vida em virtude da arrogância de alguns líderes cujo objetivo é sempre “o bem comum” do povo, da nação, da família e toda aquela xaropada de sempre.

No plano civilizatório, legal e institucional, a humanidade evoluiu muito depois da 2º Guerra Mundial. Limites e balizas constitucionais foram reafirmados e são essencialmente similares em todos os países ocidentais de tradição democrática.

Apesar do avanço no plano das instituições e das leis, a essência humana nada mudou. Continuamos com os mesmos vícios e virtudes que são conhecidos desde sempre. A narrativa conservadora de preservar “o bem comum” que atualmente está em voga é tão perigosa quanto qualquer outra já conhecida.

No panorama brasileiro, temos um Governo que foi eleito prometendo extirpar a corrupção e combater o crime em nome da família, da moral e dos bons costumes. Ou seja, Bolsonaro não só propagou ser possível como acreditava ser viável alcançar o divino tanto quanto os homens que edificaram a Torre de Babel. Mas como todos sabemos, a ciranda da vida agora se revela e vemos que o Governo é feito de humanos, e portanto, falho.

Por Lucas Bonfim
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