O drama que quase tirou Romário da Copa antes do tetra

Sequestro do pai do craque mobilizou o Brasil em 1994 e colocou em risco a presença do principal jogador da Seleção na campanha do tetracampeonato

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Romário ameaçou não disputar a Copa de 1994 caso o pai não fosse libertado

Por Matheus Klinger

 

Antes de o Brasil levantar a taça da Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, uma história fora dos gramados quase mudou o destino da Seleção Brasileira. O sequestro de Edevair de Souza Faria, pai de Romário, colocou o país em estado de comoção e ameaçou tirar do Mundial aquele que se tornaria o grande protagonista do tetracampeonato.

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O crime aconteceu em 2 de maio de 1994, no Rio de Janeiro. Edevair, então com 64 anos, foi sequestrado após deixar o bar Garota do Quitungo, na Vila da Penha, Zona Norte da capital fluminense. Segundo registros da época, os criminosos exigiram US$ 7 milhões pelo resgate, valor considerado altíssimo até mesmo diante da dimensão internacional que Romário já havia alcançado no futebol.  
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Naquele período, Romário defendia o Barcelona e vivia uma fase brilhante na Europa. Mas a notícia do sequestro abalou profundamente o atacante. Diante da imprensa, o jogador deixou claro que não teria condições emocionais de disputar a Copa do Mundo caso o pai não fosse libertado com vida. A declaração aumentou a pressão sobre as autoridades e transformou o caso em um drama nacional às vésperas do Mundial.  

Durante seis dias, o país acompanhou a angústia da família e a expectativa pela libertação de Edevair. O caso ganhou contornos ainda mais marcantes porque, além da ação policial, relatos da época apontam que pessoas ligadas ao crime no Rio também teriam se mobilizado para pressionar pelo fim do sequestro. Romário era mais do que um jogador famoso: era um ídolo popular, admirado nas comunidades e nas ruas.

Edevair foi libertado em 8 de maio de 1994, sem que o resgate fosse pago. A operação encerrou o drama familiar e abriu caminho para que Romário retomasse sua preparação com a Seleção Brasileira. Poucas semanas depois, o atacante embarcaria para os Estados Unidos carregando não apenas a responsabilidade técnica de liderar o ataque brasileiro, mas também a força emocional de quem havia superado um dos momentos mais difíceis da própria vida.  

Dentro de campo, Romário confirmou por que sua presença era indispensável. Com gols decisivos, personalidade forte e uma parceria histórica com Bebeto, o camisa 11 foi o grande nome da campanha brasileira. O Brasil, que não conquistava uma Copa desde 1970, voltou ao topo do futebol mundial em 1994.

O episódio do sequestro de Edevair permanece como um dos capítulos mais tensos dos bastidores do futebol brasileiro. Mais do que uma lembrança policial ou esportiva, ele revela como a trajetória do tetra também foi marcada por medo, pressão, fé e superação.

 

Romário quase ficou fora da Copa. O Brasil quase perdeu seu principal jogador. Mas o desfecho mudou tudo: o pai voltou para casa, o craque voltou à Seleção e o país voltou a ser campeão do mundo.