Assembleia Legislativa de Alagoas concede título de cidadão honorário ao padre Júlio Lancellotti
Sessão solene realizada em Maceió reconheceu a trajetória do religioso na defesa dos direitos humanos e no cuidado com a população em situação de rua; homenagem foi proposta pelo deputado estadual Ronaldo Medeiros.
A sessão teve como eixo central o reconhecimento à atuação histórica de padre Júlio Lancellotti em defesa da população em situação de rua, do direito à moradia e da promoção dos direitos humanos.
“Eu não luto pra vencer, eu sei que vou perder, eu luto para firmar minhas convicções.” A frase, atribuída ao padre Júlio Lancellotti, ajuda a sintetizar a dimensão pública de uma trajetória marcada pelo compromisso com os mais vulneráveis e pela defesa permanente da dignidade humana.
A Assembleia Legislativa de Alagoas realizou, na segunda-feira, 30 de março, em Maceió, sessão solene para conceder ao padre Júlio Lancellotti o título de cidadão honorário do Estado. A homenagem reconhece mais de quatro décadas de atuação do religioso em defesa dos direitos humanos e no atendimento à população em situação de rua. A iniciativa foi proposta pelo deputado estadual Ronaldo Medeiros.
Além da entrega da honraria, a agenda pública em torno da presença do padre em Alagoas também esteve ligada ao debate sobre fraternidade, moradia e justiça social, tema que mobilizou lideranças políticas, representantes de movimentos sociais, integrantes da Igreja e agentes públicos no Parlamento estadual.
Durante a solenidade, o reconhecimento ao trabalho de Júlio Lancellotti reforçou uma discussão que ultrapassa o campo religioso. Sua atuação nacional se tornou referência por associar fé, presença social e defesa concreta de direitos, especialmente num país em que a desigualdade urbana e a exclusão seguem impondo desafios severos ao poder público e à sociedade. Em registros da cobertura do evento, o sacerdote reafirmou a centralidade do direito à moradia e da ação coletiva em favor dos mais pobres.
A cobertura do evento também registrou a presença de autoridades e convidados no plenário da Casa, entre eles representantes ligados à pauta dos direitos humanos. Entre os discursos acompanhados durante a sessão, houve destaque para manifestações em defesa da dignidade da pessoa humana e da necessidade de políticas públicas voltadas à proteção social, especialmente para quem vive em situação de vulnerabilidade.
Mais do que uma homenagem individual, a sessão na Assembleia alagoana projetou um recado político e institucional relevante: numa democracia, a defesa dos direitos humanos não deve ser tratada como bandeira acessória, mas como fundamento civilizatório. Ao homenagear padre Júlio Lancellotti, o Parlamento estadual também se associa, simbolicamente, a um debate essencial sobre moradia, solidariedade, justiça social e responsabilidade pública.
A solenidade em Maceió reuniu fé, política pública e compromisso social em torno de uma agenda que permanece urgente no Brasil: garantir que os direitos fundamentais não sejam privilégio de poucos, mas patrimônio de todos.
Entre os presentes, foi destacada a participação do Desembargador do TJ/AL Tutmes Airan, do membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB/AL advogado Raudrin de Lima e do Secretário Marcelo Nascimento da SEDH que fez um belo discurso na tribuna da Assembleia destacando a luta do padre Júlio em defesa permanente dos direitos humanos.